Pele da tua boca, pele do verbo.

Até 220vv o coração aguenta


São tubos, são túneis, são cilindros, são rolos onde evolam desejos. Posso pedir um desejo? A tua resposta a subir e a descer, vertigem em mim, sim, não, adivinho o fim deste desaguar de olhos salinos.
Pergunta: Queres-me? E o [ECO] túnel aperta-me o som da tua boca num compasso cadenciado do escravo vermelho
És só tu contigo. Deixa-me entrar. Voyeur, voyeur de todos os teus sentidos, respiro-te.
Paixão. Três vezes paixão em ti no sangue que afloram os vincos tatuados das linhas em que me apertas. Ordeno mais, mais dor rente a mim apertada na convulsão mal aguentada de todo o cetim que me corrói entranhas.
Chamas-lhes delicadamente cetim. O dos sentires. Mas a permissão que me dás é para te sentir na passagem do tecido macio. Afinal, és só contigo. Eu sou a ponta, as pontas dessas marcas de fitas que te apertam no feminino glorioso. Eu sou só imaginar, adivinhar, fazer-de-conta, bicho-de-conta, fantasia.

És tu contigo. Instantes privados em que cerras a porta e te lavas no egoísmo do feminino, acariciando pensamentos apertados entre a pele. São devaneios. São delirios.
[ Amor colhido. Guarda-me. Ninho de linhas.]
Não são tuas, são estórias minhas, não conto nada a ninguém, sou marinheiro cego e as cartas seguem rotas que o meu corpo percorre na ponta dos teus dedos. Oferece-me uma ilha, pousa a tua mão no meu peito...

[Sinto por vezes um formigueiro, uma dormência, uma comichão, dedilho notas sem rumo, fecho os olhos e deixo-me ir, só ir, ritmos em camara lenta]
De tanto deitadas derrete-se o tempo nas suas mãos. Vão levar seiva, levar alma, levar vísceras de beijos e de abraços, olhos alagados de luz e de sal e ainda de pimentas que polvilham na boca alheia, moldam-se ao verbo, ao ser,
Ajuíza-me da vontade em te ter inteira pelo prisma que se lapida a tantas vezes que a palavra não me permites. Condenas-me, pois... Ainda de novo me hás-de surpreender, descobrir a minha descoberta, a minha pequenez de te achar una e indizível. E eu louco, demente, babando fúrias vou tirando pele e mais pele ao teu rosto que se ilumina.
Ainda agora infanta. Mariposas. O verbo aprendido nas palavras faladas que não são permitidas.

ssão para estenderes arames bambos, perigos a fio, fino, forte, fatal.
Vai-me bem o malabarismo com que entonteces a desumana vontade de me alimentar. Equilibrio da boca e da nutrição, da fome e do gozo, da dor e do saciar.
ecg
Construí-me desconstruíndo-te, sabendo não te sabendo. Descubro-me até ao tecto, ao forro, às vigas pendentes. Horizontais, alicerces horizontais com me cobres. Do olhar volto a ver. Mãos cheias e largas do teu corpo que me vem agarrado de matéria-prima para te voltar a subir. Nada sei, nada aprendi. Ensina-me os alicerces, as fundações.
Tu e eu somos lei da relatividade. O espaço é incomum e as fórmulas reagem a cada momento da respiração sufocada.